terça-feira, 23 de abril de 2013

Uma reflexão sobre leitura e interpretação.

Por meio de inúmeras batalhas individuais, um sem-número de atitudes anarquistas e subversivas, o homem conquistou seu direito à leitura, em cada época e espaço autorizou-se a ler independente do paradigma instituído. Assim, historicamente a leitura passou a ser parte fundamental da formação humana, até mesmo da identidade social e histórica do sujeito, pois ao dominar sua forma de ler, fazendo escolhas e definindo intenções, o homem, de certa forma, torna-se sujeito de seu próprio conhecimento em relação ao seu universo. Como conseqüência dessa conquista, a leitura passa a ser tomada como um elemento de direito universal. Antônio Candido, em Direitos Humanos e Literatura, fala da necessidade humana de mergulhar no universo da ficção e da poesia como um direito. Coloca a Literatura como o “sonho acordado das civilizações” e, assim como o sonho é o equilíbrio psíquico durante o sono, a literatura é o equilíbrio social, pois satisfaz essa necessidade inerente de mergulhar na fantasia. Não há como satisfazer tal necessidade sem leitura. Desta forma, podemos dizer que antes da literatura ser um direito, a leitura emana da própria noção de humanidade, pois se o homem cria suas próprias lendas, fábulas, enfim, suas manifestações ficcionais, ele traz em si, também, a necessidade de ler tais representações. Então, sem leitura não há satisfação. É claro que leitura, aqui, tem um amplo sentido, que vai ao encontro do que Paulo Freire chamou de “leitura do mundo”, aliás, primeiro e sempre ela. Neste sentido ler representa, primeiramente, compreender, sem compreensão não há leitura. Embora algumas práticas de leituras encontradas em nossas escolas ainda se baseiam em estratégias mecanicistas de perguntas e respostas, podemos constatar que há uma grande preocupação com a mudança da concepção de leitura atualmente, pois trabalhos recentes, pautados em teorias sociocognitivas e interacionistas já perpassam o universo escolar. È claro que, infelizmente, muitos equívocos ainda são cometidos em nome de mudanças mal planejadas. Porém, certo otimismo em relação ao ensino de leitura poderá ser aceito se ouvirmos algumas falas de professores, os quais já assimilaram novos caminhos em relação ao ensino de leitura. Desta forma, pensamos que Paulo Freire e Antônio Cândido compreenderam desde sempre o que deve ser a leitura: compreensão e interação. Cândido, A. In: Fester, A.C. Ribeiro (org.) Direitos Humanos e Literatura, São Paulo, Brasiliense, 1989. Freire, P. A Importância do Ato de Ler, 41ª Ed. São Paulo, Cortez, 2001.

Por Maria do Carmo Zanaro Delalana

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