quarta-feira, 24 de abril de 2013

Experiências de Leitura

"Ao ler os depoimentos sobre a aproximação inicial desta atividade meio misteriosa (por ser tão pessoal) e totalmente instigante que é leitura, lembrei-me de uma época em que ler, pra mim, era como respirar ou se alimentar... E de onde vinha esse alimento/ar? Da escola e de meu irmão mais velho. Da escola, por meio da pequena biblioteca (meu lugar encantado), que existia em meu pequeno lugarejo rural, onde vivia. E de meu irmão, único homem, de uma família de cinco irmãos, que, por terem perdido os pais, muito cedo, aprenderam com a vida que tudo seria uma grande luta. Meu irmão, entendeu isso do seu jeito adolescente sério, e me comprava livros com muita dificuldade e isso era meu encanto maior, meu presente, minha dádiva. Lembro-me de uma vez ter ido à papelaria, único local onde podíamos compra livros por encomenda, com o dinheiro contado, a pé, doida pelo Polyanna, acho que tinha uns nove anos. Quando voltei pra casa, com o livro em mãos, sentei-me no chão, rasguei o plástico... E tive que ser chamada para dormir, não conseguia parar, e ficava olhando o livro, enamorada. Mais tarde, somente entendi "Felicidade Clandestina" da Clarice, por ter passado por essa experiência".

Por Maria do Carmo

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